Segundo ele, o acordo não atende a nenhuma das principais exigências de Israel: não há restrições ao programa de mísseis do Irã nem a grupos aliados, e não há um caminho claro para o desmantelamento de suas instalações nucleares. Até mesmo a campanha de Israel no Líbano foi limitada pelo acordo de cessar-fogo imposto por insistência do Irã.
As consequências são tanto políticas quanto estratégicas. O acordo enfraquece a narrativa de Netanyahu sobre o Irã e expõe os limites de sua influência sobre um presidente dos EUA visto como estreitamente alinhado a Israel.
Citrinowicz afirma que o Irã ganhou margem de manobra e que o acordo corre o risco de consolidar sua posição, ao mesmo tempo em que aprofunda o isolamento de Israel. “Tudo é ruim”, disse ele sem rodeios. “E só vai piorar.”
Se o acordo se mantiver, o Irã deve garantir o resultado mais favorável: o fim da guerra, o alívio gradual das sanções, a retomada das exportações de petróleo e a perspectiva de vastos recursos para a reconstrução — além da aceitação implícita de seu sistema político.
Washington, por outro lado, fica aquém das metas que compartilhava com Israel: derrubar o establishment clerical, desmantelar o programa nuclear do Irã e conter seu alcance regional. Em vez de redefinir a posição do Irã, o acordo a restaura.
Os EUA e Israel iniciaram a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, assassinando o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, e outras figuras importantes nos primeiros dias. O conflito se intensificou, matando mais de 7.000 pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, ao mesmo tempo em que elevou os preços da energia e aumentou os temores de uma crise alimentar nos países em desenvolvimento.
noticia por : UOL


