O inverno demográfico da Europa é ruim para todos

Está encolhendo cada vez mais o tempo disponível para a liderança europeia enfrentar o desafio prioritário da queda galopante na natalidade. Diante dos novos e alarmantes dados estatísticos de previsão publicados em diversos países, nem o G7 nem o Conselho Europeu refletiram ou promoveram ações urgentes e bilionárias para combater essa desertificação de capital humano e de democracia que estamos sofrendo. Tudo como se “nada estivesse acontecendo”. No entanto, o “estouro da bolha demográfica” produzirá apenas empobrecimento econômico, social e democrático.

Os dados recentíssimos de França, Alemanha e Espanha são unívocos e desconfortantes. Cada país sozinho pode fazer pouco, como demonstra a Itália que, apesar dos esforços, até 31 de março de 2026 registrou 83 mil nascimentos, evidenciando uma redução ainda maior na natalidade (-2,4% em relação ao mesmo período de 2025).

Segundo a pesquisa sobre a tendência da população recém-publicada pelo INSEE, Instituto Nacional de Estatística francês, em 2070, se as recentes tendências demográficas persistirem, a França terá 65,9 milhões de habitantes, 3,2 milhões a menos em comparação com 2026. A população aumentará ligeiramente até 2037, atingindo 69,8 milhões. Esse crescimento demográfico se deverá exclusivamente ao saldo migratório, já que o crescimento natural é negativo a partir de 2025. A partir de 2037, por outro lado, o saldo migratório não compensará mais a queda natural e a população começará, portanto, a diminuir.

Não apenas isso: até 2070, prevê-se que o número de pessoas com menos de 45 anos diminuirá em 8,9 milhões, enquanto o número de pessoas na faixa entre 45 e 64 anos deve permanecer praticamente estável e o número de pessoas com 65 anos ou mais deve aumentar em 5,8 milhões. O aumento no número de idosos será determinado principalmente pelo incremento no número de pessoas com 80 anos ou mais (+4,6 milhões), enquanto o número de centenários poderá quadruplicar. Em 2040, haverá 49 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 pessoas na faixa entre 20 e 64 anos, em comparação com as 40 de 2026. A solução dos governos liberais de Macron? Mais aborto e eutanásia; já a receita das esquerdas é um fluxo constante e contínuo de imigrantes sem integração.

A Espanha também caminha para um declínio profundo. Em 50 anos, o país poderá ultrapassar a marca dos 50 milhões de habitantes e superar os 53,8 milhões, um crescimento inflado da população graças apenas ao impulso da imigração, conforme confirmou o Instituto Nacional de Estatística (INE) nas “Projeções Demográficas 2026-2076”.

Se as atuais tendências demográficas se mantiverem, a Espanha registrará um aumento de mais de quatro milhões de habitantes nos próximos 15 anos e de quase 3,4 milhões até 2076. Mesmo nesse cenário numericamente “promissor”, os nascidos na Espanha cairiam a ponto de representar 59,6% daqui a 50 anos, em comparação com os 79,8% que representam hoje.

Se, por outro lado, o fluxo migratório fosse reduzido — em relação à regularização “monstruosa” de 1,5 milhão de imigrantes desejada pelo governo social-comunista de Pedro Sánchez —, a população espanhola despencaria para 31,7 milhões. Essas projeções indicam que, de qualquer forma, haverá um saldo demográfico negativo devido ao aumento das mortes de nativos espanhóis, que superará o número de nascimentos nos próximos 50 anos.

Não é diferente a tendência das previsões sobre a população alemã. Segundo comunicado feito na terça-feira pelo escritório estatístico governamental Destatis, a população alemã encolheu cerca de 110 mil pessoas em 2025, a primeira diminuição em base anual desde 2020. No final de 2025, 83,5 milhões de pessoas residiam no país. A redução corresponde a pouco mais de 0,13%. A redução do saldo migratório líquido, com 235 mil pessoas se mudando para o país a mais do que as que o deixaram, não foi suficiente para compensar o fato de que, em 2025, morreram 352 mil pessoas a mais na Alemanha do que as que nasceram.

No ano passado, a taxa de natalidade na Alemanha também atingiu o nível mais baixo já registrado; o menor nível desde 1946, com uma taxa de substituição demográfica de 1,35 filho por mulher, uma mínima histórica e bem abaixo dos 2,1 necessários para manter uma população estável. A taxa de declínio demográfico foi consideravelmente mais rápida nos antigos estados da Alemanha Oriental, chegando a 0,5% (57 mil pessoas no total), em comparação com 0,1% (ou seja, 68 mil pessoas) registrado nos estados que compunham a antiga Alemanha Ocidental, onde vivem menos migrantes. A população continuou a envelhecer e a faixa etária entre 60 e 79 anos continuou a crescer, com 358 mil pessoas.

A Europa precisa partir da proposta do ex-presidente do ISTAT, Gian Carlo Blangiardo: “Para inverter o rumo, são necessárias intervenções estruturais focadas nos ‘quatro Cs’ do seu modelo de apoio às famílias: Custo, Cuidado, Conciliação e Cultura”.

© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com autorização. Original em italiano: Il crollo demografico dell’Europa non interessa a nessuno

noticia por : Gazeta do Povo

Está encolhendo cada vez mais o tempo disponível para a liderança europeia enfrentar o desafio prioritário da queda galopante na natalidade. Diante dos novos e alarmantes dados estatísticos de previsão publicados em diversos países, nem o G7 nem o Conselho Europeu refletiram ou promoveram ações urgentes e bilionárias para combater essa desertificação de capital humano e de democracia que estamos sofrendo. Tudo como se “nada estivesse acontecendo”. No entanto, o “estouro da bolha demográfica” produzirá apenas empobrecimento econômico, social e democrático.

Os dados recentíssimos de França, Alemanha e Espanha são unívocos e desconfortantes. Cada país sozinho pode fazer pouco, como demonstra a Itália que, apesar dos esforços, até 31 de março de 2026 registrou 83 mil nascimentos, evidenciando uma redução ainda maior na natalidade (-2,4% em relação ao mesmo período de 2025).

Segundo a pesquisa sobre a tendência da população recém-publicada pelo INSEE, Instituto Nacional de Estatística francês, em 2070, se as recentes tendências demográficas persistirem, a França terá 65,9 milhões de habitantes, 3,2 milhões a menos em comparação com 2026. A população aumentará ligeiramente até 2037, atingindo 69,8 milhões. Esse crescimento demográfico se deverá exclusivamente ao saldo migratório, já que o crescimento natural é negativo a partir de 2025. A partir de 2037, por outro lado, o saldo migratório não compensará mais a queda natural e a população começará, portanto, a diminuir.

Não apenas isso: até 2070, prevê-se que o número de pessoas com menos de 45 anos diminuirá em 8,9 milhões, enquanto o número de pessoas na faixa entre 45 e 64 anos deve permanecer praticamente estável e o número de pessoas com 65 anos ou mais deve aumentar em 5,8 milhões. O aumento no número de idosos será determinado principalmente pelo incremento no número de pessoas com 80 anos ou mais (+4,6 milhões), enquanto o número de centenários poderá quadruplicar. Em 2040, haverá 49 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 pessoas na faixa entre 20 e 64 anos, em comparação com as 40 de 2026. A solução dos governos liberais de Macron? Mais aborto e eutanásia; já a receita das esquerdas é um fluxo constante e contínuo de imigrantes sem integração.

A Espanha também caminha para um declínio profundo. Em 50 anos, o país poderá ultrapassar a marca dos 50 milhões de habitantes e superar os 53,8 milhões, um crescimento inflado da população graças apenas ao impulso da imigração, conforme confirmou o Instituto Nacional de Estatística (INE) nas “Projeções Demográficas 2026-2076”.

Se as atuais tendências demográficas se mantiverem, a Espanha registrará um aumento de mais de quatro milhões de habitantes nos próximos 15 anos e de quase 3,4 milhões até 2076. Mesmo nesse cenário numericamente “promissor”, os nascidos na Espanha cairiam a ponto de representar 59,6% daqui a 50 anos, em comparação com os 79,8% que representam hoje.

Se, por outro lado, o fluxo migratório fosse reduzido — em relação à regularização “monstruosa” de 1,5 milhão de imigrantes desejada pelo governo social-comunista de Pedro Sánchez —, a população espanhola despencaria para 31,7 milhões. Essas projeções indicam que, de qualquer forma, haverá um saldo demográfico negativo devido ao aumento das mortes de nativos espanhóis, que superará o número de nascimentos nos próximos 50 anos.

Não é diferente a tendência das previsões sobre a população alemã. Segundo comunicado feito na terça-feira pelo escritório estatístico governamental Destatis, a população alemã encolheu cerca de 110 mil pessoas em 2025, a primeira diminuição em base anual desde 2020. No final de 2025, 83,5 milhões de pessoas residiam no país. A redução corresponde a pouco mais de 0,13%. A redução do saldo migratório líquido, com 235 mil pessoas se mudando para o país a mais do que as que o deixaram, não foi suficiente para compensar o fato de que, em 2025, morreram 352 mil pessoas a mais na Alemanha do que as que nasceram.

No ano passado, a taxa de natalidade na Alemanha também atingiu o nível mais baixo já registrado; o menor nível desde 1946, com uma taxa de substituição demográfica de 1,35 filho por mulher, uma mínima histórica e bem abaixo dos 2,1 necessários para manter uma população estável. A taxa de declínio demográfico foi consideravelmente mais rápida nos antigos estados da Alemanha Oriental, chegando a 0,5% (57 mil pessoas no total), em comparação com 0,1% (ou seja, 68 mil pessoas) registrado nos estados que compunham a antiga Alemanha Ocidental, onde vivem menos migrantes. A população continuou a envelhecer e a faixa etária entre 60 e 79 anos continuou a crescer, com 358 mil pessoas.

A Europa precisa partir da proposta do ex-presidente do ISTAT, Gian Carlo Blangiardo: “Para inverter o rumo, são necessárias intervenções estruturais focadas nos ‘quatro Cs’ do seu modelo de apoio às famílias: Custo, Cuidado, Conciliação e Cultura”.

© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com autorização. Original em italiano: Il crollo demografico dell’Europa non interessa a nessuno

noticia por : Gazeta do Povo

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