O número de mortes suspeitas por complicações da Aids teve alta de 50% na região. Levantamento do Núcleo de Aconselhamento, Testagem e Tratamento de Apucarana (Natta) feito a pedido do jornal Tribuna do Norte e do portal TNOnline aponta que o número de óbitos investigados pelo Comitê de Mortalidade subiu de quatro no primeiro semestre do ano passado para seis neste ano no mesmo período.
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Em contrapartida, o relatório indica queda no número de testes positivos para HIV, que passaram de 18 para 16 no período, redução de 11%. O avanço nos óbitos suspeitos acende o alerta das autoridades de saúde para o diagnóstico tardio da infecção e reforça a importância do rastreamento preventivo e da adesão ao tratamento.
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Segundo a coordenadora do Natta, enfermeira Valentina de Campos Leal, a maior parte dos pacientes que foram a óbito descobriu a infecção tardiamente. “Descobriram a patologia na internação que levou ao óbito. Os demais eram pacientes que não seguiam o tratamento e não faziam o acompanhamento”, explica a coordenadora.
Atualmente, o Natta acompanha cerca de 1 mil pacientes vivendo com HIV nos 16 municípios da área de abrangência do núcleo, com maior concentração de moradores de Apucarana.
Risco de novos surtos
Apesar dos avanços científicos no controle do HIV, um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) divulgado neste mês alerta para o risco de ressurgimento da epidemia no mundo. Para conter essa tendência, Valentina aponta a necessidade de reforçar as campanhas e utilizar as ferramentas de prevenção disponíveis na rede pública.
“Temos que voltar a fazer campanhas de prevenção utilizando a tecnologia à nossa disposição, com preservativos internos e externos, PrEP, PEP, diagnóstico precoce com testes rápidos e tratamento imediato para quem foi diagnosticado”, afirma.
Entre as tecnologias citadas estão a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), medicação de urgência tomada após uma relação sexual desprotegida ou acidente com material biológico, e a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), uso contínuo de medicação por pessoas não infectadas para prevenir a contaminação pelo vírus. Em Apucarana, a PrEP é totalmente ofertada pelo SUS e conta com atendimento realizado por residentes de farmácia, enfermagem e odontologia em 12 Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A coordenadora avalia que a redução no trabalho de conscientização afeta diretamente o comportamento da população. “Acredito que diminuiu a divulgação. Antes havia propagandas frequentes sobre preservativos na televisão, hoje nem no Carnaval. E quando a pessoa inicia a vida sexual sem preservativo, a tendência é que não passe a usar”, pondera Valentina.
Testagem de adolescentes ainda é tabu
Os dados do Natta indicam que a maioria dos 16 pacientes que testaram positivo para HIV neste ano são homens de 18 a 25 anos. No entanto, a coordenação do núcleo avalia que os números podem estar subestimados em faixas etárias mais jovens devido à baixa procura por exames.
“Se houvesse mais testagem em adolescentes, o número seria maior e o perfil diferente. Há preconceito em realizar a testagem em adolescentes, embora eles estejam iniciando a vida sexual cada vez mais cedo e, em sua maioria, sem o uso de preservativos”, alerta Valentina.
Segundo ela, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que adolescentes a partir de 13 anos completos têm o direito de realizar o teste de HIV por livre escolha, sem a necessidade de autorização ou acompanhamento dos pais ou responsáveis.
Sífilis tem alta e hepatites caem, aponta relatório
O relatório do Natta também aponta queda nas notificações de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como a hepatite B, que passou de 4 para 2 casos, e a hepatite C, reduzida de 12 para 5. Contudo, os diagnósticos de sífilis subiram 17,5%, passando de 80 para 94 registros no primeiro semestre.
De acordo com a coordenação do Natta, a variação da sífilis está associada à ampliação da testagem no município. “Todas as gestantes são testadas no pré-natal. Há uma epidemia de sífilis no Brasil”, comenta Valentina.
O levantamento mostra ainda um avanço nas campanhas e capacitações, com a entrega de 25,3 mil preservativos masculinos e femininos, além de 573 pessoas capacitadas pelo núcleo neste ano.
“Quanto mais pessoas capacitadas para a testagem, maior a capacidade de realizar os exames. Houve também treinamento para a PrEP. O treinamento de profissionais é recente, mas busca alcançar a testagem de mais pessoas perto de onde o paciente mora”, destaca a coordenadora.
noticia por : UOL



