'Ninguém vai meter o bedelho nas eleições', diz Lula ao criticar ações dos EUA e da Argentina

O presidente Lula (PT) mandou recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao argentino Javier Milei e afirmou, nesta quarta-feira (29) que ninguém vai “meter o bedelho” nas eleições brasileiras.

Em suas falas, feitas durante convenção do PSB que confirmou Geraldo Alckmin como vice do petista na chapa em que os dois disputarão a reeleição, Lula também citou a negativa dada pelo Brasil ao visto de dois funcionários americanos enviados por Trump.

“Enquanto eu for presidente, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras”, declarou. “Nessa semana, tivemos que negar o visto para dois jovens que eles mandaram para se intrometer as eleições brasileiras. Nós negamos o visto.”

O Itamaraty recusou o visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo o jornal The Washington Post, Trump planejava mandar os auxiliares para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro.

No discurso desta quarta, Lula também rebateu as críticas feitas pelo presidente argentino, Javier Milei. O líder da Argentina se referiu ao presidente brasileiro como “presidiário” e fez ofensas ao Brasil ao participar da convenção do PL, em São Paulo, em apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Vocês viram a patacoada que fizeram aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada porque a minha relação é de chefe de Estado e eu gosto muito do povo argentino e não vou ficar trocando ‘coisa’ com aquela ‘coisa'”, afirmou.

Lula afirmou que vencerá as eleições ainda no primeiro turno e elogiou Alckmin. “Mesmo que eu e ele só errarmos daqui para a frente, o acerto foi tanto que a gente não perde essas eleições”, disse.

Sobre os opositores, disse: “Temos candidatos, temos programa, temos legado, o que tem o nosso adversário? Zero”.

As críticas também foram feitas nas falas de Alckmin. “Não muito tempo atrás a gente via no Brasil o bordão dos extremistas. Esse bordão era ‘Deus, pátria, família e liberdade'”, disse. “Pátria é união, não é entreguismo, trabalhar lá fora contra os interesses do nosso país.”

Lula se referiu ao vice como a “garantia” que todo mundo precisa. Afirmou, ainda, que com Alckmin não haveria risco de levar um golpe, em alusão a Michel Temer na época do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Nomes importantes para o palanque do petista em estados-chave, como São Paulo, estiveram presentes, como Simone Tebet, que disputará o Senado, e Márcio França, ex-ministro de Lula e vice de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo do estado. A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que busca reeleição, também participou.

O apresentador e pré-candidato a deputado federal por São Paulo pelo PSB, Datena, também prestigiou o evento. Após ter disputado a prefeitura de São Paulo em 2024, Datena fechou contrato com a empresa estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação) com o aval do governo federal. Ele se desligou da EBC em junho para disputar a vaga no Legislativo.

O presidente do PSB, João Campos, disputará o Governo de Pernambuco. Como mostrou o Painel, a avaliação dentro da campanha é que ele perdeu o voto que tinha de candidatos mais ao centro, quando era prefeito do Recife.

Outro fator de preocupação é o fato de que parte dos eleitores de Lula tem declarado voto em Raquel Lyra (PSD), que desponta como principal rival de Campos no estado.

Campos afirmou querer dobrar a bancada do PSB na Câmara e reforçar as candidaturas femininas da sigla.

“A gente está recebendo o maior presidente da história do Brasil. Alguém que a democracia brasileira deve prestar todas as homenagens”, disse. “Nossa missão é sair mais fortes das urnas. Ver o senhor e o vice-presidente Geraldo Alckmin reeleitos.”

Nomes do PDT também participaram em apoio à Lula chapa Lula-Alckmin. Entre eles, o ministro Wolney Queiroz (Previdência) esteve no evento, também em apoio à candidatura do conterrâneo João Campos. O ministro, que foi deputado pelo PDT por Pernambuco, manifestou a intenção de que Lula reforce o apoio a Campos no estado.

Outros ministros de governo também marcaram presença: Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Leonardo Barchinni (Educação) e José Múcio (Defesa).

noticia por : UOL

quinta-feira, 30, julho , 2026 12:50
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