Um dos maiores escritórios do país, o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) foi notificado em dois processos que exigem pagamentos de aluguéis em atraso de salas comerciais. Somados, os valores das disputas ultrapassam R$ 526 mil.
Os dois casos tiveram início no fim do ano passado, sendo um deles em Campinas e o outro em São Paulo.
Fundado em 1999, o NWADV é conhecido por defender famosos e poderosos do país. A banca está presente em todos os estados e reúne mais de mil advogados. Em entrevista à Folha, em fevereiro do ano passado, Wilians afirmou administrar cerca de 450 mil processos e participar de mais de 3.000 audiências por mês.
No interior paulista, onde o escritório já possui filial, foram assinados dois contratos de locação para quatro conjuntos que pertencem à Galícia Desenvolvimento Imobiliário Ltda. e à Gran Floridian Empreendimentos. As salas ocupam o 5º andar de uma das torres do Galleria Corporate.
Segundo a petição, o negócio foi firmado em 21 de agosto do ano passado e se encerraria em agosto de 2030, com dois meses de carência no valor do aluguel. Em outubro, logo no primeiro mês em que o escritório deveria iniciar os pagamentos, houve inadimplência no aluguel dos espaços, de R$ 63,1 mil, além dos encargos de IPTU e condomínio.
As locadoras ajuizaram ação de despejo por falta de pagamento em 12 de novembro e obtiveram liminar de desocupação. Segundo as diligências, o imóvel sequer chegou a ser ocupado e permaneceu vazio até meados de dezembro, quando os representantes do NWADV devolveram as chaves.
No último dia 23 de julho, o juiz Guilherme Fernandes Cruz Humberto, da 9ª Vara Cível de Campinas, determinou a extinção do processo de despejo, mas condenou o Nelson Wilians Advogados a pagar as custas e honorários do processo.
O valor da causa do processo ultrapassa R$ 1,5 milhão, e o escritório de Nelson Wilians apresentou embargos de declaração no último dia 3 contestando o pagamento de honorários.
Somente com o aluguel atrasado, discutido individualmente por Galícia e Gran Floridian em dois outros processos, o débito total chega a R$ 378 mil.
SEDE EM SÃO PAULO
A disputa de São Paulo envolve parte do complexo que abriga a sede nacional do escritório, localizado no Centro Empresarial Nações Unidas, na zona sul da capital. Nela, seis empresas donas das salas que compõem o 17º andar da torre oeste do complexo empresarial reclamam a falta de pagamento do aluguel.
Segundo o processo, a banca assinou contrato em junho de 2024 e deveria pagar R$ 38,3 mil de aluguel por mês, além das despesas condominiais. Houve, porém, inadimplência em outubro, janeiro, fevereiro e março. Com os atrasos do que era devido a cada uma das locadoras, mais as despesas de condomínio, o débito ultrapassava R$ 148,6 mil.
Há pouco mais de duas semanas, as partes fecharam acordo. Segundo apurou a Folha, Nelson Wilians pagou cerca de R$ 150 mil para encerrar a disputa.
Em nota, a defesa de Nelson Wilians disse que o escritório segue em plena atividade, mantendo regularmente a prestação de serviços, e a matriz permanece instalada no 25º andar do prédio na zona sul da capital.
Explicou também que o 17º andar, objeto de disputa, foi desocupado como parte de um plano de adequação dos espaços físicos da banca, iniciado em 2025, e cujas etapas estão em andamento.
“Nesse processo, algumas situações específicas exigiram ajustes pontuais, que estão sendo tratados individualmente, com cuidado e responsabilidade, na busca pelas soluções mais adequadas em cada caso”, afirma em nota o advogado Santiago Schunck, sócio-diretor do NWADV.
Segundo o representante do escritório, eventuais discussões judiciais relacionadas à entrega desses imóveis decorrem de divergências de natureza contratual. Essa reorganização dos espaços físicos, diz Schunck, não é a única medida do plano, cujo objetivo é assegurar a continuidade sólida do escritório.
“NWADV reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência, a conformidade e a segurança jurídica em todas as suas relações.”
Em setembro do ano passado, o escritório foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS.
Na ocasião, a PF cumpriu mandados de busca na casa e no escritório de Nelson Wilians, apreendendo carros de luxo e obras de arte. Segundo apuração do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a banca movimentou R$ 4,3 bilhões em operações consideradas suspeitas entre 2019 e 2024.
O próprio Nelson Wilians chegou a depor na CPI do INSS e nega qualquer participação na fraude.
No mês passado, o escritório voltou a ser alvo de operação policial, dessa vez investigado por um suposto esquema de sonegação de ICMS que ultrapassa R$ 3,8 bilhões.
O escritório afirmou que “recebeu o cumprimento da medida de busca e apreensão com serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo, mantendo-se à disposição das autoridades competentes e atuando de forma proativa para o completo esclarecimento dos fatos”.
Além dos processos com aluguel, o escritório é cobrado na Justiça por falta de pagamentos a uma assessoria de imprensa, a uma empreiteira que realizou reformas no escritório de Salvador e problemas na prestação de serviços tributários a clientes.
noticia por : UOL


