Dinamarca vai indenizar mulheres vítimas da colocação forçada de dispositivos intrauterinos na Groenlândia

“Foi algo como cem votos a favor e uns dez contra. Todas nós ficamos muito felizes e aliviadas, nós, as mulheres que fomos assistir à votação. Foi um momento muito emocionante, que mostrou que vale a pena lutar”, afirma.

Depois disso, ela se reuniu em privado com a ministra da Saúde da Dinamarca. “Ela me fez perguntas sobre a minha vida, então contei um pouco da minha história”, continua Elisa Tove Christiansen. “Ela começou a chorar. Estava muito comovida. Espero que isso nunca, nunca, nunca aconteça de novo com nenhuma menina, em nenhum lugar do mundo.”

‘Isso não vai me devolver o útero, mas…’

A Dinamarca realizou essas intervenções num período em que a Groenlândia tinha uma das maiores taxas de natalidade do mundo, e as autoridades viam o crescimento da população inuíte como um obstáculo à modernização e à sustentabilidade econômica do território.

Elisa tinha apenas 13 anos quando recebeu, sem qualquer consentimento, um dispositivo intrauterino destinado a mulheres adultas. As complicações foram tantas que os médicos acabaram retirando seu útero.

“Isso não vai me devolver o útero. Não vai me devolver os filhos que nunca tive, nem apagar todas as doenças e dores com que vivi ao longo desses anos. Mas mostra que os políticos nos ouviram”, resume a mulher de sessenta anos.

noticia por : UOL

sábado, 29, agosto , 2026 01:56
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