A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (18), uma operação contra uma organização criminosa familiar especializada em tráfico interestadual de drogas, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.
A ação cumpre 14 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Maringá, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná, e em endereços nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Para descapitalizar o grupo, a Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas bancárias e o sequestro de 19 veículos.
-LEIA MAIS: Jovem desaparece ao cair nas águas do Lago Saracura em Faxinal
As investigações apontam que um núcleo familiar, composto por um casal e quatro filhos, assumiu a logística de envio de entorpecentes e armas do Paraná para comunidades dominadas por facções no Rio de Janeiro. Para ocultar as atividades ilícitas, o líder do grupo e um de seus filhos forjaram identidades falsas e abriram pessoas jurídicas de fachada. Uma dessas empresas de logística mantinha, inclusive, endereço formal na Avenida Brigadeiro Faria Lima, centro financeiro da capital paulista. Segundo a polícia, as drogas e os fuzis eram escondidos em meio a cargas lícitas e os caminhões viajavam escoltados por batedores, que avisavam sobre a presença de viaturas nas rodovias.

Foto: PCPR
O esquema de lavagem de capitais da quadrilha movimentou quase R$ 29 milhões em transações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. O grupo utilizava testas de ferro e simulações de compra de veículos e aeronaves, chegando a investir quase R$ 1 milhão em uma cota de um clube de voo no interior paulista. A apuração revelou ainda que a principal ligação financeira da família com os criminosos fluminenses era feita por meio de uma vidraçaria de fachada. Apenas no ano passado, essa empresa movimentou R$ 17 milhões, embora seu responsável declarasse renda mensal de apenas R$ 1,5 mil.
O monitoramento da quadrilha começou em fevereiro deste ano, após a prisão de um traficante em dezembro de 2025. Com a saída desse criminoso de circulação, a família absorveu a rota Maringá–Curitiba–Rio de Janeiro. Durante o curso da investigação, a polícia impôs duros golpes à logística do grupo. Em junho, foram interceptados quase 460 quilos de cocaína e crack, além de pistolas e peças de fuzis, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, momento em que dois familiares faziam o transbordo da carga. Menos de duas semanas depois, a Polícia Militar de São Paulo apreendeu mais 18 fuzis e drogas em Ourinhos, interior paulista, fato que demonstrou o alto poder de recomposição do grupo e motivou os mandados cumpridos nesta sexta-feira.
noticia por : UOL



