Prefeitos de partidos da coligação de Fernando Haddad (PT) têm ignorado o petista nas redes sociais. Em vez de se engajarem na disputa estadual, gestores focam pautas locais e, no limite, há até apoio declarado a Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Levantamento aponta que, desde o início da campanha eleitoral, 15 dos 18 prefeitos de PT, PSB e PDT eleitos no estado não declaram voto em Haddad nas redes nem exibem materiais com o número ou a identidade visual do ex-ministro.
Em nota, a campanha diz que o candidato tem percorrido o estado, sendo recebido em diferentes cidades e regiões e mantendo diálogo direto com prefeitos, vice-prefeitos e lideranças políticas.
Dados das eleições municipais de 2024 (ordinárias e suplementares) mostram que São Paulo elegeu 19 prefeitos de partidos de esquerda nesse último ciclo eleitoral (sendo que um deles teve o mandato cassado pela Câmara Municipal no último mês de julho).
A tônica que predomina nas redes desses prefeitos é de temas locais. A prefeita de Barrinha, Lúcia Do Katiá tem fotos do dia do hambúrguer nas escolas, enquanto o prefeito de Pereira Barreto, conhecido como Dr. Hermínio trata dos uniformes esportivos do time de futebol da cidade. Ambos foram eleitos pelo PSB.
À Folha o prefeito Welington Formiga, de Cotia, eleito pelo PDT, diz que acompanha o cenário eleitoral, mas, neste momento, “tem priorizado sua agenda à frente da prefeitura” e o “acompanhamento das demandas do município”.
Em relação à candidatura de Haddad, Formiga afirma não ter estabelecido compromisso de participação em atividades de campanha e que, “caso receba convites para eventos no município ou na região, avaliará a participação de acordo com sua agenda e com as atividades da administração municipal”.
No rol de prefeitos paulistas de partidos de esquerda, também há o caso daqueles que apoiam candidatos, principalmente a deputado federal ou estadual, mas sem menção à disputa estadual: Eduardo Piazzalunga, do município de Mirante do Paranapanema, e Araldo Todesco, de Tapiraí, por exemplo, ambos eleitos pelo PSB.
Mas existem aqueles que declaram apoio ao rival de Haddad, o atual governador Tarcísio. Nesta semana, a prefeita de Guaiçara, Flavia Do Baiano Bittencourt, eleita pelo PSB, publicou: “Tarcísio, sigo ao seu lado com fé, confiança e esperança. Que Deus ilumine seus caminhos, te fortaleça e abençoe cada passo dessa caminhada”, inclusive com o número do candidato à reeleição.
Em resposta à reportagem, a Prefeitura de Rio Grande da Serra, também afirmou que o prefeito, Akira Auriani, eleito pelo PSB, não apoia formalmente a candidatura de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes e, apesar de ser do mesmo partido do vice de Haddad, Márcio França, declarou apoio a Tarcísio.
“A justificativa é que o candidato do PSB Márcio França não foi escolhido para ser o protagonista nem ao Governo de São Paulo, nem a senador, sendo assim, optamos por seguir com o governador, que fez gestos e tem ajudado a gestão”, disse a prefeitura à Folha.
O baixo engajamento soma-se à dificuldade histórica do PT no estado, o qual nunca governou, e ao mapa partidário dos prefeitos paulistas, dominado por legendas de centro e de direita que atualmente integram a base ou a órbita política de Tarcísio.
Das 18 cidades lideradas por prefeitos eleitos por partidos da coligação de Haddad, apenas Mauá foi visitada pelo candidato na campanha, de acordo com as informações públicas de agendas. O ex-ministro também visitou Matão no feriado de Corpus Christi. Os dois municípios são governados por prefeitos do PT e apoiam o petista nas redes.
Haddad também participou de atos com os prefeitos de Lucianópolis e Santa Lúcia —ambos do PT—em outros municípios, destacou a campanha do candidato a governador. A equipe do ex-ministro citou ainda agendas com vice-prefeitos de PT, PSB e PDT de outras cidades.
“E há um dado que não pode ser ignorado: Haddad já se reuniu com cerca de 130 prefeitos, muitos deles integrantes da base do governador Tarcísio de Freitas —39 em São Paulo, 27 em Cedral, 19 em Avaré, 12 em Catanduva, 9 em Iguape, 7 em Jales, 7 em Jaú, 6 em Rio Claro e 4 em Andradina”, afirma a campanha.
A equipe diz que os nomes desses prefeitos não foram nem serão divulgados a pedidos dos próprios gestores por medo de retaliações.
“Nesse caso, transformar a ausência de manifestações públicas em prova de falta de apoio não corresponde ao que vem acontecendo no estado”, afirma a nota da campanha.
noticia por : UOL


