São Paulo
O governo dos Estados Unidos ordenou nessa segunda-feira (19) que suas agências deixem de utilizar ferramentas de inteligência artificial da startup chinesa DeepSeek, enquanto os dois países competem pela supremacia neste setor em rápida evolução. A China criticou a medida e disse que defenderá as empresas do país.
Um comunicado do Departamento de Segurança Interna anuncia a proibição dos produtos desenvolvidos pela DeepSeek —e das ferramentas criadas por terceiros com esta IA— e afirma que devem ser removidos dos dispositivos.
O departamento pode dar instruções às agências civis, mas não às Forças Armadas nem aos serviços de inteligência. O Departamento de Defesa não respondeu a um pedido de comentário da AFP. A DeepSeek também não comentou.

Usuária segura celular e visualiza aplicativo do DeepSeek
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Greg Baker – 28.abr.26/AFP
“Os modelos da DeepSeek apresentam múltiplos vetores de ameaça”, afirma um documento anexado ao comunicado.
O uso das ferramentas de IA da DeepSeek “pode resultar na transferência de dados sigilosos (para a China) caso sejam utilizadas por funcionários ou fornecedores do governo dos Estados Unidos”, advertiu o departamento.
Seus servidores estão localizados na China, cujo sistema jurídico permite ao governo ter uma “ampla autoridade” para acessar a infraestrutura de empresas privadas, afirmou.
A China declarou que a medida “extrapola” o conceito de segurança nacional e prometeu proteger as empresas chinesas.
“A China sempre se opôs à ampliação excessiva do conceito de segurança nacional e à politização de questões relacionadas à ciência, à tecnologia e ao comércio”, afirmou a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Mao Ning, nesta terça-feira (20).
A DeepSeek, um dos principais laboratórios de IA da China, abalou o setor em janeiro de 2025 ao lançar um chatbot de baixo custo e alto desempenho, desafiando a percepção de domínio dos Estados Unidos.
A empresa lançou em abril o aguardado novo modelo V4 e, neste mês, atualizou uma versão mais rápida e leve do V4.
Os Estados Unidos acusam a DeepSeek e outras importantes empresas chinesas de IA de roubarem sistematicamente recursos de modelos de ponta desenvolvidos por concorrentes americanos.
Apesar da forte concorrência na área, China e Estados Unidos concordaram, em setembro, em criar um “canal de comunicação” para incidentes relacionados à IA.
O tema deve voltar à pauta quando os líderes dos dois países se reunirem no próximo mês, em uma cúpula na cidade chinesa de Shenzhen.
Com informações da AFP


