PIB da China acelera a 4,5% no terceiro trimestre impulsionado por alta nas exportações

4 min de leitura
PIB da China acelera a 4,5% no terceiro trimestre impulsionado por alta nas exportações

O crescimento econômico da China ganhou ritmo no terceiro trimestre, à medida que a rápida expansão das exportações, impulsionada pelo boom da inteligência artificial, compensou a fraqueza dos gastos no varejo e dos investimentos.

O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 4,5% nos três meses até setembro em relação ao mesmo período do ano anterior, superando a previsão mediana de 4,4% dos analistas consultados pela Bloomberg. O resultado veio após uma expansão de 4,3% no período de três meses anterior, uma das menores taxas dos últimos anos.

Nos nove primeiros meses do ano, até setembro, o crescimento econômico foi de 4,6%, informou o NBS (Departamento Nacional de Estatísticas) nesta segunda-feira (19), graças a um ritmo mais forte no primeiro trimestre. A meta oficial do PIB da China para o ano é de aumento de 4,5% a 5%.

“Isso provavelmente manterá a meta de crescimento do ano ao alcance”, afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING.

Mao Shengyong, vice-diretor do NBS, observou que, embora a taxa de crescimento do terceiro trimestre esteja entre as mais baixas da China em décadas, com exceção do período da pandemia de Covid-19, ela foi uma das mais fortes entre as maiores economias do mundo.

Segundo ele, isso ocorreu apesar de um ambiente internacional “complexo e em constante mudança” e de uma “demanda interna insuficiente”. “A base para um desempenho econômico estável e em melhora ainda precisa ser consolidada”, admitiu.

A liderança chinesa enfrenta uma economia em duas velocidades: o boom da IA e os investimentos em indústrias de alta tecnologia e no setor manufatureiro impulsionam as exportações, enquanto a prolongada crise do setor imobiliário enfraquece a demanda interna.

As exportações cresceram 36% no mês passado, em dólares, na comparação anual. Mas o rápido aumento do superávit comercial, que deve superar o recorde de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,09 trilhões) registrado no ano passado, tem gerado atritos com parceiros comerciais, sobretudo com a União Europeia.

Bruxelas e Pequim concordaram neste mês em estabelecer uma cota para as importações de carros híbridos chineses pelo bloco, evitando um conflito comercial em larga escala. Ainda assim, espera-se que a UE adote outras medidas de salvaguarda para proteger indústrias manufatureiras e empregos diante da concorrência de rivais chineses de baixo custo.

A produção industrial da China continuou a crescer em setembro, com alta de 5,5% em relação ao ano anterior, em linha com as previsões e acima da expansão de 5,2% registrada em agosto.

As vendas no varejo, vistas como um indicador do consumo, aumentaram 1,1% no mês passado ante o mesmo período do ano anterior, acima dos 0,4% de agosto e da previsão dos analistas, de crescimento de 0,5%.

Song, do ING, afirmou que as vendas no varejo acima do esperado se deveram, em parte, ao aumento das vendas de “aparelhos de comunicação”, como telefones e outros dispositivos para os quais o governo oferece subsídios.

As autoridades chinesas prometeram fazer mais para estimular a demanda interna, já que a desaceleração do setor imobiliário, agora em seu quinto ano, abalou a confiança das famílias.

Os preços de imóveis residenciais novos em 70 cidades caíram 0,14% em setembro ante o mês anterior, excluindo as moradias subsidiadas pelo Estado. Isso representou uma ligeira melhora em relação à queda de 0,17% registrada em agosto na comparação com julho, segundo dados do NBS.

“A principal mensagem macroeconômica é que a economia chinesa continua sendo impulsionada pelo lado da oferta e da produção”, comentou Yuhan Zhang, economista principal do Centro para a China do Conference Board.

“Isso sustenta o crescimento no curto prazo e a modernização industrial, enquanto esforços contínuos para fortalecer o consumo das famílias, a demanda por serviços e a confiança do consumidor tornariam a recuperação mais equilibrada e sustentável”, avaliou.

Zhang afirmou que os dados de investimento mostram que o crescimento da China depende cada vez mais do que o governo chama de “novas forças produtivas”, especialmente a manufatura avançada.

“A fabricação de equipamentos e as indústrias de alta tecnologia continuam fortes porque o sólido apoio da política industrial em nível central incentiva investimentos em setores estratégicos”, disse Zhang.

O investimento em ativos fixos caiu 7,2% em relação ao ano anterior nos primeiros nove meses de 2026, em linha com a retração de 7,2% registrada até agosto, mas ligeiramente melhor que a previsão mediana dos analistas, de queda de 7,3%.

noticia por : UOL