Um juiz federal rejeitou pela segunda vez, neste sábado (31), um processo por difamação movido pelo presidente Donald Trump contra o jornal The Wall Street Journal por uma reportagem que ligava o presidente ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
O presidente alegou que o veículo jornalístico difamou seu “caráter e integridade” ao publicar, em 2025, uma reportagem sobre uma mensagem obscena de aniversário que Trump teria escrito para Epstein mais de 20 anos antes. Trump negou ter escrito a carta e processou o WSJ, pedindo US$ 10 bilhões (R$ 54 bilhões) em indenização.
O juiz Darrin P. Gayles, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos do Sul da Flórida, acatou o pedido do jornal para que a ação fosse rejeitada, afirmando que o presidente “não conseguiu” provar que o Wall Street Journal havia “agido com dolo efetivo”.
O dolo efetivo é um critério jurídico que deve ser comprovado por figuras públicas em processos por difamação. Isso significa que os réus sabiam que o que estavam publicando era falso ou agiram com desprezo imprudente pela verdade.
“Na prática, o presidente Trump argumenta que, depois que declarou que a carta era ‘falsa’, os réus deveriam ter desconsiderado todo o restante que descobriram em sua investigação e não publicado a reportagem”, escreveu Gayles em uma decisão de 20 páginas. “Mas não é isso que o critério do dolo efetivo exige, e tal argumento viola a Primeira Emenda [que garante liberdade de imprensa].”
Gayles rejeitou a ação em caráter definitivo, o que significa que a mesma reivindicação não poderá ser apresentada novamente.
“O presidente Trump continuará levando adiante sua contundente ação judicial contra The Wall Street Journal e todos os outros réus”, afirmou um porta-voz da equipe jurídica de Trump em nota. “O presidente continuará responsabilizando por seus atos aqueles que enganam o povo americano com notícias falsas e difamações.”
Um porta-voz da Dow Jones, que publica o WSJ, disse: “Estamos satisfeitos com a decisão do tribunal”.
O presidente, que tem um longo histórico de hostilidade contra a imprensa, recorre com frequência à Justiça para atacar veículos de comunicação por coberturas que considera críticas ou injustas. Nos últimos anos, ele moveu ações contra veículos como The New York Times, BBC e CNN.
O presidente republicano entrou originalmente com a ação por difamação contra o veículo no dia seguinte à publicação, em 17 de julho de 2025, de uma reportagem com o título: “Amigos de Jeffrey Epstein enviaram a ele cartas picantes para um álbum de 50º aniversário. Uma delas era de Donald Trump”.
A reportagem descrevia uma carta, aparentemente enviada por Trump, que havia sido incluída em um álbum de aniversário preparado para Epstein em 2003 e continha as palavras: “Feliz aniversário —e que cada dia seja mais um segredo maravilhoso”.
Segundo a reportagem, a carta continha o desenho de uma mulher nua, com a assinatura de Trump abaixo da cintura, imitando pelos pubianos. O Wall Steret Journal também incluiu a negativa de Trump de que tivesse escrito a carta ou feito o desenho: “Isso não é meu. Isso é falso”, disse Trump, segundo a reportagem.
Após a publicação da matéria, advogados do espólio de Epstein entregaram uma cópia do livro de aniversário aos integrantes do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes. O material incluía uma carta e um desenho semelhantes aos descritos pelo jornal. O livro, de 238 páginas, foi compilado por Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein, condenada por ajudá-lo em sua campanha de abuso sexual.
A ação também citava como réus a empresa controladora do veículo, News Corp; seu fundador, Rupert Murdoch; seu CEO, Robert Thomson; sua editora, Dow Jones; e dois repórteres do veículo.


