Venezuela mantém María Corina isolada da transição

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Venezuela mantém María Corina isolada da transição

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María Corina Machado levou oito horas para percorrer cercada por apoiadores o caminho de Barquisimeto até Caracas no domingo (25). Após quase um ano fora da Venezuela, a principal líder da oposição estava novamente em seu país. Isso, depois de sete tentativas frustradas de regressar.

Mesmo assim, segue fora da mesa em que se negocia o futuro político do país, que completará em 3 de janeiro de 2027 um ano da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A operação mudou o comando da Venezuela, aproximou Washington do regime da líder interina Delcy Rodríguez e reorganizou as forças políticas do país –ainda sem data para uma eleição.

Antes, María Corina estava fora da Venezuela e ausente das negociações. Agora está em Caracas, mas continua isolada das conversas sobre a transição. Delcy, vice de Maduro e sua sucessora no poder, tornou-se a principal interlocutora com os americanos.

O Vente Venezuela, partido de María Corina, não participa da mesa em que representantes do chavismo e de outros setores da oposição discutem reformas políticas e eleitorais.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, acrescentou uma peça importante a esse cenário. Washington, segundo ele, havia pedido semanas antes ao regime de Delcy que permitisse a volta da opositora sem ameaças à sua segurança.

Caracas teria afirmado que ela poderia regressar. Rubio atribuiu o retorno às negociações apoiadas pelos EUA –as mesmas das quais o grupo de María Corina está excluído.

A explicação deixa uma pergunta: por que foram necessárias sete tentativas frustradas até que a líder opositora conseguisse voltar? Rubio negou que tenha impedido seu retorno e diz que só a desaconselhou a ir após os terremotos que atingiram o país em junho.

Agora, Corina precisa disputar espaço nas negociações sobre as regras de uma nova eleição. Rubio defende que a Venezuela reforme primeiro o Judiciário e o Conselho Nacional Eleitoral, além de garantir liberdades políticas e de imprensa.

María Corina endossou a perspectiva de eleições em 2027, mas quer que as mudanças institucionais e a convocação do pleito avancem simultaneamente.

É um horizonte, não um calendário. Não há data oficialmente marcada, nem acordo sobre as condições da votação. Enquanto isso, Delcy preserva o comando do regime e negocia com Washington uma transição.

O retorno de María Corina pode alterar essa dinâmica, mas não resolve sozinho o impasse. Sua presença em Caracas torna mais difícil discutir o futuro eleitoral da Venezuela sem considerar a força política que ela representa. Não lhe garante, porém, um lugar nas decisões.


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noticia por : UOL