É falso que relatório prove vitória de Flávio Bolsonaro até as 17h

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É falso que relatório prove vitória de Flávio Bolsonaro até as 17h

O fato de Lula ter recebido todos os votos em 106 seções não é indicativo de fraude, ao contrário do que sugere o relatório. Segundo checagem de fatos do Estadão Verifica (aqui), 104 dessas seções eleitorais estão em comunidades indígenas, rurais, ribeirinhas, quilombolas ou assentamentos. As outras duas seções ficam em unidades prisionais: uma no Centro de Detenção Provisória de Aquiraz (CE) e outra no Presídio Regional de Sapé (PB). Nessas 106 seções, Lula somou 14.860 votos (aqui).

De acordo com o TSE, a unanimidade em seções eleitorais é comum e recorrente nas eleições, principalmente ao considerar regiões de aldeias indígenas, em que é culturalmente possível que haja convergência de votos (leia aqui).

Flávio também recebeu todos os votos em quatro seções. Elas ficam em Arroio do Padre (RS), Cândido Godói (RS), Jacareacanga (PA) e Chaves (PA). Juntas, deram 296 votos ao candidato, segundo o TSE.

Relatório cita Lei de Benford, mas ela não tem aplicabilidade para dados eleitorais. A Justiça Eleitoral já desmentiu boatos que circulavam em 2020 sobre esse assunto (aqui) e afirmou que o uso desse modelo matemático não é apropriado para a análise dos dados eleitorais nem prova fraude. O UOL Confere também já desmentiu alegações de fraude eleitoral que citavam o modelo estatístico em 2018. A “Lei de Benford” é a constatação de que, em números gerados de forma “natural” (sem escolha arbitrária por humanos), os dígitos menores (1, 2, 3…) tendem a aparecer com mais frequência do que dígitos maiores (…7, 8, 9). Nesses casos, cada dígito costuma aparecer com uma frequência aproximada específica. Se um relatório contábil, por exemplo, apresenta muitos números figurando o dígito 9, e o dígito 2 aparece pouco, isto pode ser indício de adulteração, pois um humano manipulando números o faz artificialmente, sem obedecer à Lei de Benford.

89% do eleitorado tem cadastro biométrico. O relatório alega ainda que 8,6 milhões de eleitores teriam votado sem biometria. Não é possível identificar a origem do dado, que não foi confirmado pelo TSE. Ainda assim, segundo a corte eleitoral, “os arquivos divulgados pelo TSE não fornecem uma lista que indique em quem votou cada pessoa habilitada sem reconhecimento biométrico”. Além de apresentar documento com foto, quando não é possível o uso da biometria, o procedimento de identificação da Justiça Eleitoral consiste em: o mesário digita o ano de nascimento informado pela pessoa. O voto só é autorizado se o dado coincidir com o registro do cadastro eleitoral. O eleitor também assina o caderno de votação (confira aqui).

Viralização. No Instagram, um post com o conteúdo desinformativo registrava mais de 189 mil curtidas.

noticia por : UOL