ANA JÁCOMO
EDUARDA FERNANDES
DO REPÓRTERMT
A decisão judicial que determinou a prisão preventiva do investigador aposentado Luciano Testa, de 56 anos, trouxeram à tona documentos da Corregedoria-Geral da PJC-MT (Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso). O relatório da 14ª Vara Criminal de Cuiabá e a manifestação do Ministério Público revelam que o acusado de espancar o idoso Agessander Manoel, de 62 anos, carrega uma ficha funcional extensa e já era investigado por envolvimento em um homicídio qualificado.
De acordo com o despacho do juiz João Bosco Soares da Silva, o perfil de violência de Testa dentro do Condomínio Residencial Ilha dos Açores não começou no dia 11 de junho. O ex-policial já possui um procedimento administrativo e disciplinar em andamento por ter agredido e ameaçado um outro morador do mesmo edifício. Além disso, a Corregedoria apontou que ele é alvo de apuração interna por resquícios de um inquérito policial de natureza de homicídio qualificado.
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A manifestação do promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo também jogou luz sobre a premeditação do crime. O Ministério Público revelou que o espancamento do idoso foi o cumprimento de uma promessa feita 10 meses antes. Em 15 de agosto de 2025, Testa já havia cercado a vítima no elevador e disparado: “O teu tá guardado, é uma promessa“.
Veja o vídeo da agressão:
“O histórico funcional emitido pela Corregedoria-Geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (ID. 237076489) registra múltiplos procedimentos administrativos e disciplinares em nome do requerido, incluindo procedimento em andamento para apuração de resquícios administrativos referentes a inquérito policial de natureza de homicídio qualificado (Atípico nº 225.10.2025.17014), procedimento em andamento para apuração de ameaça e lesão corporal praticada contra outro morador do mesmo condomínio (Atípico nº 225.10.2025.17009), e denúncia de ameaça formulada diretamente à Corregedoria em 2023 (Atípico nº 225.10.2023.35883). A certidão de antecedentes criminais (ID. 237076488) registra múltiplos processos em que o requerido figura como réu ou autor do fato, em diversas comarcas do Estado de Mato Grosso, ao longo de mais de duas décadas.”, diz trecho da decisão judicial.
As manifestações da Justiça e do Ministério Público
Ao fundamentar a necessidade da prisão preventiva e detalhar a periculosidade do agressor, as autoridades foram firmes em seus despachos. O promotor Rinaldo Segundo alertou sobre o risco iminente à vida das vítimas ao classificar as medidas protetivas anteriores como ineficazes no prédio.
“Medidas de menor gravidade não se mostram aptas a neutralizar o risco de nova agressão — possivelmente fatal, dada a idade e a condição física da vítima Agessander“, enfatizou o Ministério Público.
O juiz João Bosco Soares da Silva endossou o parecer acusatório e destacou o comportamento violento recorrente do ex-policial como ameaça direta à integridade pública.
“O requerido teria desferido golpes reiterados contra pessoa idosa de 62 anos, prosseguindo nas agressões mesmo após a vítima já se encontrar caída e imóvel no chão, o que revela, em tese, descontrole e desprezo pela integridade física alheia. Essa sequência de condutas (…) evidencia padrão de comportamento violento e reiterado, com premeditação demonstrada“, sentenciou o magistrado.
Ataque na frente de criança e risco “fatal”
Os documentos do processo trazem detalhes da dinâmica do crime ocorrido no elevador. O espancamento foi inteiramente presenciado por uma criança que estava no local. O Ministério Público também formalizou que as agressões contra a esposa do idoso, Silvana de Souza Manoel, configuraram importunação sexual porque o ex-policial apertou os seios da mulher no momento em que ela tentava intervir para cessar as agressões contra o marido desfalecido.
Diante do histórico técnico em operações táticas especiais do acusado, a Justiça determinou o bloqueio imediato de todas as suas licenças de armas junto à Polícia Federal e aos sistemas de controle das Forças Armadas (Sinarm e Sigma).
Entenda o caso
O crime ocorreu no dia 11 de junho de 2026, no interior do elevador do Condomínio Residencial Ilha dos Açores, no bairro Cidade Alta, em Cuiabá. Câmeras de segurança flagraram o momento em que o investigador aposentado Luciano Testa agrediu o vizinho idoso, Agessander Manoel, com socos, chutes e cotoveladas.
A esposa da vítima tentou conter o agressor, mas também acabou empurrada e sofreu importunação sexual. Após o ataque, o ex-policial fugiu do local antes da chegada da Polícia Militar.
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Ele alegou em redes sociais que agiu após ter sido alvo de suposto assédio por parte da vítima em agosto de 2025, versão que foi rebatida pelas imagens do circuito interno e pelas investigações da Delegacia Especializada de Delitos Contra a Pessoa Idosa (DEDCPI).
FONTE : ReporterMT



