Trocas do Brasil contra Noruega não acordam equipe apática e lenta

Em Nova Jersey, palco da decisão da Copa do Mundo, o Brasil se despediu precocemente da competição ao perder de 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final.

A lista de erros e/ou culpados já está rolando, e não deve ser tão curta. Mas no duelo deste domingo (5) ficou clara mais uma vez a falta de velocidade na transição da seleção comandada por Carlo Ancelotti —se é que esse era o plano, jogar rápido em detrimento da posse de bola.

De acordo com a Fifa, a Noruega teve 55% da posse, contra 35% do Brasil —outros 10% foram de bola em disputa.

O tripé do fracasso do desempenho do Brasil no jogo contra a Noruega inclui ritmo lento, poucas opções no limitado sistema defensivo e um certo desespero nas alternativas da frente.

Aparentemente, a pressão alta na marcação, que deu certo contra a Escócia e o Haiti, nunca foi uma opção diante dos noruegueses, ainda que a zaga nórdica não esteja entre as mais ligeiras da Copa.

Sim, o Brasil teve suas chances. Duas delas, claríssimas.

Aos 13min do primeiro tempo, Bruno Guimarães cobrou mal um pênalti, para defesa do goleiro Nyland. E aos 13min do segundo, Casemiro cortou a linha de passe de Odegaard, o maestro norueguês, e tocou para Vinicius Junior, que conseguiu acionar rapidamente Endrick. O jovem atacante deu um toque a mais na bola e acabou concluindo mal.

Desde o início da partida, Alisson e a dupla de zaga não conseguiam sair jogando de trás, apelando constantemente ao chutão, mesmo diante de uma marcação que não era tão pressionada por parte dos noruegueses —os laterais Danilo e Douglas Santos não pareciam opções confiáveis.

As notícias que chegavam de Nova Jersey eram de um calor moderado, nada de temperaturas acachapantes que atrapalhassem muito o ritmo da partida. Da TV a impressão era outra: as duas seleções extremamente modorrentas nas transições.

Entre os brasileiros, Rayan e Gabriel Martinelli, parceiro de Odegaard no Arsenal, pareciam os mais lúcidos na primeira parte do jogo.

O primeiro ganhou duas divididas antes de tocar para Bruno Guimarães, que achou Martinelli na entrada da área. O atacante tocou para Matheus Cunha sofrer o pênalti —não dado em campo, mas corrigido pelo VAR. A perda do pênalti foi um banho de água fria, não na seleção, no jogo inteiro.

No segundo tempo, as substituições devem ter feito Ancelotti ganhar pontos nas trends populares. Afinal, ele deu ao povo o que o povo queria. Logo aos 13min, colocou Endrick, o jogador mais pedido da galáxia.

Mas o jovem, que teve pouca chance inclusive no Real Madrid de Ancelotti, parecia desconectado dos colegas. Ainda assim, teve a bola que poderia decidir o confronto logo depois de pisar o gramado. Desperdiçou. E sumiu.

Endrick ainda chutou mais uma bola no minuto seguinte. Foram suas duas finalizações na partida. Ao todo, ele deu nove toques na bola.

Aos 22min, a entrada de Neymar fez a torcida pulular em Nova Jersey —e a movimentação nas arquibancadas foi maior do que a do próprio camisa 10, apagado.

Em campo, o time pareceu ainda mais perdido. Atacantes de um lado, defensores do outro e a total falta de ligação entre eles.

Aos 32min, a Fifa colocou na televisão uma estatística assustadora. Passes certos: Brasil 230 x 503 Noruega.

No minuto seguinte, Éderson, o volante, entrou em campo para tentar incomodar a tranquila troca de passes norueguesa. E viu de camarote o lance que estará nos pesadelos copeiros até 2030: Schjelderup cruzou, e Haaland deu uma remada viking com a cabeça para abrir o placar, tomando a frente de Gabriel Magalhães.

A falta de meio-campo do Brasil continuou até o fim. Haaland ainda teve tempo para dominar e chutar de fora da área praticamente sem ser combatido para fazer 2 a 0.

O gol de pênalti de Neymar no fim dos acréscimos foi apenas uma sucessão de momentos constrangedores, da marcação do juiz até o sorriso após a cobrança, passando por uma interminável provocação ao goleiro Nyland —que riu por último.

noticia por : UOL

segunda-feira, 6, julho , 2026 11:51
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