No quarto do adolescente Robin Hilbert Loose, em Ponta Grossa (PR), chamavam atenção as conchas e estrelas do mar espalhadas, os nós de marinheiro e o azul por toda parte, além dos aquários com nemos, peixes-palhaço, camarões e corais.
O mar era a paixão de Robin, que se especializou em mergulho. Foi mestre em sistemas costeiros e oceânicos e viajou o mundo ensinando como apreciar e preservar a cultura marítima.
Antes, porém, atuou na agronomia. Nascido em Curitiba e criado em Ponta Grossa, na época do vestibular ouviu dos pais que o melhor seria estudar para administrar a propriedade rural da família.
Estudou, então, agronomia pela UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), ajudou a família e trabalhou em algumas multinacionais da área. Mas a vontade de fazer oceanografia nunca o abandonou.
Mesmo morando na cidade que fica longe do mar, foi estudar mergulho e passou a dar aulas, organizando viagens para mergulhar durante as férias, diz o amigo e compadre Marco Shigemori, que o conheceu há 30 anos. “Sempre gostou do mar. Viajou o mundo como instrutor de mergulho, que era outro sonho dele.”
Comprometido e cuidadoso com a segurança dos alunos durante aulas e passeios, foi um exemplo de instrutor, diz Marco, lembrando que, por causa do mar, Robin esteve em lugares paradisíacos, como Maldivas, Dubai, Egito e Fernando de Noronha.
Mas seu lugar favorito no mundo era Bonaire, nas Antilhas Holandesas, no sul do Caribe. “Sempre trabalhou e estudou para ser o melhor. Ensinou e preservou a vida marinha, um dos seus propósitos.”
Foi assim que Robin virou mestre em sistemas costeiros e oceânicos pelo Centro de Estudos do Mar da UFPR (Universidade Federal do Paraná), foi morar na praia e desistiu da carreira como engenheiro agrônomo para se dedicar totalmente ao mar.
Em 2012, ingressou na Associação Mar Brasil, de preservação do ecossistema marinho-costeiro. Lá ficou por 13 anos, ocupando os cargos de diretor e coordenador de logística e operações, além de coordenador do Rebimar (Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha).
A entidade publicou nota de pesar por causa de sua morte. Destacou a paixão e o trabalho de Robin pela preservação do oceano, contribuindo “com dedicação, compromisso e sensibilidade para os projetos desenvolvidos pela Mar Brasil”.
O Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR também lamentou a morte de Robin —ele orientou os primeiros mergulhos de muitos dos colegas da universidade.
Quando não estava na água, Robin adorava estar com a família, especialmente com o filho Erick, de 7 anos. “Pai maravilhoso, carinhoso, atencioso. Maravilhoso com tudo e com todos, sempre muito prestativo e amigo”, conta Débora Andrade, que foi casada com ele por 16 anos.
Robin Hilbert Loose morreu em 29 de maio de 2026, aos 46 anos. Deixa um irmão e um filho. A causa de sua morte não foi informada pela família.
noticia por : UOL


