A crise na Casas Bahia foi parar na disputa eleitoral e é usada por candidatos contrários ao governo Lula (PT) para criticar a gestão petista. Na última segunda-feira (17), a varejista entrou com pedido de recuperação judicial, declarando dívida de R$ 17,3 bilhões.
Em sabatina na rádio CBN nesta quinta-feira (20), Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo Republicanos, abordou o tema. Questionado sobre o debate a respeito da confiabilidade das urnas eletrônicas, ele respondeu que esse assunto não deveria ser pauta, mas a crise na varejista, sim.
“A gente tem que falar de outras pautas. Vamos falar de Casas Bahia. Olha a situação do empreendedor brasileiro, que luta contra o vento, que faz o possível para sobreviver, que está sofrendo com insegurança jurídica, com custo do capital, com a taxa de juros”, disse.
Ele relacionou a crise ao aperto no crédito e aos juros altos, afirmou que o país vive uma situação complicada e também citou as dificuldades do agronegócio, outro setor que viu disparar o número de pedidos de recuperação judicial recentemente.
“Imagina o pai de família que trabalhava lá nas Casas Bahia, que já está endividado, que já está no consignado, 20 anos de ligação e perdeu o emprego. A gente precisa de uma direção para isso. Acho que isso é pauta”, afirmou.
Em seguida, ele acrescentou que já se fala sobre o risco de uma recessão no Brasil em 2027. Também defendeu o esforço da equipe do presidenciável aliado, Flávio Bolsonaro (PL), em apresentar um plano econômico para atacar esses problemas e questionou os planos fiscais da candidatura petista.
“Será que alguém vai acreditar que o Lula, na idade que tem, com a experiência que tem, que sempre foi um presidente que se acostumou a usar o fiscal para fazer política pública, agora vai fazer um ajuste?”
Quem também falou sobre o tema foi o presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado, na quarta (19). Sem citar diretamente a Casas Bahia, ele responsabilizou o governo Lula pela crise econômica enfrentada por empresas do varejo nacional. Ele deu a declaração após ser questionado se iria propor uma desoneração ao setor de transportes caso seja eleito ao Planalto.
“Primeiro, preciso resgatar o equilíbrio fiscal. Eu não posso tratar neste momento do assunto. O Brasil está hoje com esse nível de taxa de juros [14% ao ano] em decorrência da irresponsabilidade do governo federal, que gasta acima da sua capacidade de produzir e, com isso, gera o maior déficit. Junto a isso a maior quebradeira hoje das empresas, do varejo, da indústria e também do setor rural”, disse em entrevista a jornalistas durante evento da CNT (Confederação Nacional dos Transportes).
Antes disso, à plateia de representantes do setor, o ex-governador goiano atribuiu o crescimento da relação dívida-PIB (Produto Interno Bruto), hoje em 81,9%, a medidas populistas da gestão petista, que, segundo ele, também tem causado o endividamento da população.
Ele defendeu a aprovação de uma emenda constitucional em seu eventual governo para limitar o crescimento das despesas públicas a, no máximo, 50% do crescimento do PIB.
Nesta quarta-feira (19), Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, também explorou o tema. Ele gravou vídeos em frente a uma unidade recém-fechada da varejista no Distrito Federal. O objetivo é usar o pedido de recuperação judicial para tentar desgastar Lula, insistindo que a irresponsabilidade fiscal do governo leva a juros altos, demissões em massa, inflação e perda do poder de compra.
No sábado (15), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos), que integra a campanha de Flávio, publicou um vídeo nas redes sociais relacionando a crise ao governo petista.
“Casas Bahia, um ícone, fechando quase 300 lojas, vai demitir até 3.000 pessoas. Por que isso? Por que estão fechando as lojas? Por que a Casas Bahia está falindo? Por uma coisa muito simples: quem não cuida das contas não cuida das pessoas”, disse.
No pedido enviado à Justiça nesta semana, a varejista aponta que a crise está relacionada aos pesados investimentos em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, somados aos choques da pandemia, que paralisaram as lojas físicas.
Também diz que o salto do patamar de juros desde o início do plano de digitalização em 2020 desorganizou a estrutura financeira do grupo.
O modelo de negócios, segundo a própria varejista, é altamente dependente de capital de giro, financiamento a estoques, operações de risco sacado com fornecedores e do crédito direto ao consumidor.
Com a escalada dos juros e da inflação, houve encarecimento do crédito, compressão da renda das famílias de menor poder aquisitivo e avanço da inadimplência nos carnês e cartões, além de um aumento expressivo da concorrência de plataformas digitais, diz a petição.
O pedido da Casas Bahia ressaltou um problema mais amplo no setor, que teve reestruturações de mais de R$ 68 bilhões em dívidas de grandes varejistas com credores nos últimos dois anos e meio.
A crise, segundo especialistas, foi se intensificando com a alta dos juros, o endividamento elevado e a concorrência crescente com o comércio eletrônico.
noticia por : UOL


