
O chanceler alemão e líder da União Democrata-Cristã (CDU), Friedrich Merz, participa de entrevista coletiva em Berlim, um dia após as eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, nesta segunda-feira (7).
REUTERS/Axel Schmidt
A vitória retumbante da extrema direita nas eleições da Saxônia-Anhalt traduz a erosão da política tradicional da Alemanha e um revés de proporções catastróficas para o chanceler federal Friedrich Merz, que amarga a popularidade de apenas 16%.
O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou 44% dos votos no antigo estado comunista — mais do que o dobro dos obtidos pela União Democrática Cristã (CDU), de Merz.
É interessante observar também que o apoio ao partido radical dobrou, em número de votos, em relação às últimas eleições regionais, em 2021. Ou seja, indica o forte respaldo à plataforma anti-imigração, pró-Rússia e contrária ao movimento LGBTQIA+ e às políticas de mudança climática.
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Diferentemente dos outros partidos de extrema direita na Europa, que moderaram seus discursos, a AfD incrementa a radicalização. E atrai eleitores, convencidos de que o sistema político alternado entre os tradicionais CDU e SPD, são incapazes de solucionar os problemas que os aflige.
Se conseguir formar governo, o vitorioso líder da AfD na Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, deve pôr em prática as promessas de campanha: deportação de imigrantes, proibição de bandeiras de arco-íris nas escolas e a suspensão da construção de parques eólicos.
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O partido precisa de mais três assentos para obter a maioria absoluta no Parlamento regional e contornar o cordão sanitário que o mantém fora das coligações.
A entrada da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), de esquerda e pró-Rússia, no Parlamento facilitaria a ascensão do AfD, já que a líder do partido declarou ser contrária à barreira para isolar o partido extremista.
Siegmund insiste que tem um mandato claro para governar e não renunciará a seus princípios.
Parece fiar-se em deserções de outros partidos como opção para formar maioria. Em seu discurso de vitória, o carismático ex-vendedor de 35 anos previu que o resultado “abalará toda a Alemanha”: “Conseguimos exatamente o que queríamos. Fizemos história.”
Ulrich Siegmund, principal candidato da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, chega para entrevista coletiva em Berlim, um dia após as eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, nesta segunda-feira (7).
REUTERS/Liesa Johannssen
Do outro lado, o derrotado Merz se consolida como o chanceler mais impopular desde a fundação da República Federal, pressionado pelo fracasso de suas reformas e pela coligação com os social-democratas, que vem se revelando infrutífera para responder à ascensão do sentimento nacionalista de extrema direita no país.
Ao prometer profundas reformas no país, ele se disse chocado com o resultado das eleições na Saxônia-Anhalt, que reconheceu ser a maior derrota da CDU em décadas.
“Não esperávamos que as coisas terminassem assim”, admitiu Merz. O desempenho ascendente da AfD nos últimos anos, contudo, parece contradizer a surpresa do chanceler.
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Fonte: G1
Merz amarga revés de proporções catastróficas com vitória da extrema direita na Saxônia-Anhalt


