The New York Times
Duas das principais fabricantes de carros elétricos da China anunciaram nesta segunda-feira (29) que vão unir suas subsidiárias de recarga e troca de baterias, no mais recente sinal de consolidação da indústria automobilística chinesa, marcada pelo excesso de concorrentes.
O acordo combinará as divisões da Nio e do Zhejiang Geely Holding Group, enquanto a Nio também adquirirá uma participação de 10% em outra empresa da Geely. A transação ocorre duas semanas depois de outra montadora chinesa, a Guangzhou Automobile Group, anunciar planos para uma complexa associação com a First Automotive Works, uma grande fabricante.

Estação de troca de baterias da Nio em Xangai, China
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Qilai Shen/New York Times
No ano passado, duas gigantes da indústria automobilística chinesa, Dongfeng Motor e Changan Automobile, chegaram a discutir uma fusão, mas não fecharam acordo.
A indústria automobilística chinesa tem um enorme excesso de capacidade: há fábricas suficientes para produzir todos os carros vendidos na China, além de toda a produção dos Estados Unidos e da Europa. O mercado doméstico chinês, porém, encolhe desde 2017, à medida que o consumo das famílias é afetado pela queda dos preços dos imóveis.
“Há simplesmente montadoras demais na China —fusões, aquisições e reestruturações serão uma tendência daqui para frente”, disse David Zhang, professor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huanghe, em Zhengzhou, na China.
As vendas de carros na China recuaram 20,8% nos primeiros oito meses deste ano em relação ao mesmo período de 2025. As montadoras têm tentado compensar a queda aumentando o envio de veículos ao exterior. As exportações de veículos chineses devem chegar a pelo menos 10 milhões neste ano, ante 1 milhão de carros em 2020.
A União Europeia, preocupada com o rápido declínio do setor automotivo europeu, avalia possíveis restrições a novas exportações de carros chineses. A Volkswagen tem enfrentado dificuldades para competir com as importações chinesas e anunciou recentemente planos para cortar outros 50 mil postos de trabalho. Altos funcionários europeus devem chegar a Pequim na próxima semana para negociações comerciais.
Mesmo com o forte crescimento das exportações, a fábrica de carros média na China opera com pouco mais da metade de sua capacidade. As montadoras, por sua vez, reduziram os preços para níveis inferiores ao custo de produção, provocando perdas generalizadas entre as fabricantes e atrasos nos pagamentos a fornecedores de autopeças.
Na transação anunciada nesta segunda-feira, a Geely concordou em incorporar seu negócio de troca de baterias ao negócio maior da Nio e pagar US$ 95 milhões (R$ 496,3 milhões) por uma participação de 30% na empresa, que planeja ter 10 mil estações de troca de baterias até 2030.
A Nio também ficará com uma participação de 10% na ampla divisão de estações de recarga de carros elétricos da Geely, que deve chegar a 22 mil pontos de recarga até o fim do próximo ano.

Linha de produção da fabricante automobilística chinesa Nio
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Qilai Shen/New York Times
Além disso, as empresas disseram que vão coordenar o design de seus carros relacionados à troca e à recarga de baterias.
Muitas montadoras chinesas discutem há mais de uma década a coordenação dos projetos de veículos para permitir a troca de baterias, segundo Stephen Dyer, chefe da área automotiva para a Ásia da Alix Partners, empresa global de consultoria.
O acordo entre Geely e Nio, que venderam juntas 1,3 milhão de carros totalmente elétricos ou híbridos plug-in no primeiro semestre deste ano, representa um passo em direção à padronização da fabricação de baterias.
“É realmente muito invasivo projetar seu veículo em torno de um padrão de troca de baterias”, disse Dyer.
Na troca de baterias, o motorista para em uma instalação à beira da estrada e um sistema automatizado substitui a bateria descarregada por outra totalmente carregada. O processo leva de três a quatro minutos. Uma recarga de 80% demora o dobro do tempo mesmo com um carregador muito rápido.

Bateria em linha de montagem da fábrica da Zeekr, da Geely, em Ningbo, China
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Qilai Shen/New York Times
A troca de baterias, porém, continua muito menos popular do que os carregadores convencionais na China e em outros países, e muitos analistas do setor automotivo questionam se essa tecnologia algum dia conseguirá alcançar a popularidade da recarga tradicional.
A BYD, líder do setor na China, registrou queda de 34% nas vendas domésticas no varejo até agora neste ano, enquanto as vendas da Geely recuaram metade disso. Com isso, a Geely quase alcançou a BYD neste ano no mercado chinês.
A Guangzhou Auto informou em um documento enviado à Bolsa em 15 de setembro que planeja emitir ações para a First Auto Works, controlada diretamente pelo governo central chinês. Em troca, a Guangzhou Auto obterá uma participação em uma antiga joint venture entre a First Auto Works e a Toyota.
A operação fará da First Auto Works a segunda maior acionista da Guangzhou Auto, atrás apenas do governo municipal de Guangzhou.
A Guangzhou Auto também possui uma joint venture própria com a Toyota, que concorre com a parceria entre a First Auto Works e a montadora japonesa.
Desde os anos 1980, a China exige que fabricantes estrangeiras de automóveis façam parcerias com empresas chinesas para entrar no mercado do país. As montadoras chinesas aprenderam muito com essas associações.
Como parte da resposta ao aumento das exportações chinesas, a União Europeia avalia exigir joint ventures de fabricantes chinesas de veículos elétricos. O Ministério do Comércio da China afirmou em comunicado em março que se opõe fortemente a qualquer exigência da UE nesse sentido, assim como a obrigações de compartilhamento de tecnologia e regras semelhantes, classificando-as como “sérias barreiras aos investimentos e discriminação institucional”.
noticia por : UOL


